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Textos para inspirar sua vida, família e ministério.

Adicionado em 24/07/2017

Política é sempre um tema que, especialmente no meio cristão, causa polêmicas quando abordado. É que, além das divergências ideológicas e defesas fervorosas comuns a esse debate, nós crentes somos bombardeados com um conceito que “política e religião não se misturam”. “Pastor não deveria se envolver em política”, ou “o Estado é laico, e não deve ter interferência da religião”, são outras frases comuns no meio daqueles que pensam, ou apenas repassam o pensamento, que o cristão em geral não deveria ser uma pessoa politizada. Vamos ver o que a Bíblia, nossa história e a lei de nosso país têm a declarar sobre essa questão:

 

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento são ricos em passagens que mostram como os profetas e servos de Deus se posicionaram publicamente contra injustiças sociais. Muitas vezes eles se pronunciaram especificamente contra a pessoa de um governante, seja pela sua corrupção como líder, ou pelo seu desvio moral na vida íntima. O profeta Amós questionou claramente a política corrupta de Israel (Am 5:7-15). João Batista denunciou a imoralidade de Herodes (e isso custou literalmente sua cabeça). Em Oséias 8:2-4, o profeta afirmou que Deus estava insatisfeito com os líderes que seu povo havia escolhido (e nos nossos dias também pode ficar...). Daniel foi levantado por Deus para aconselhar o corrompido e ímpio rei Nabucodonosor. E a lista continua…

São tantos problemas em nossa sociedade, que muitas vezes escolhemos o caminho da omissão. Ficamos “anestesiados”, insensíveis à maldade e à injustiça. O profeta Jeremias nos advertiu a respeito dessa inércia:

 

Jeremias 22:16-17:

Ele defendeu a causa do pobre e do necessitado, e, assim, tudo corria bem. Não é isso que significa conhecer-me? ", declara o Senhor. "Mas você não vê nem pensa noutra coisa além de lucro desonesto, derramar sangue inocente, opressão e extorsão."
 

Tiago afirma que aquele que sabe o bem que deve fazer, e não faz, comete pecado (Tg 4:17). O apóstolo Paulo também nos alerta:

 

Efésios 5:11-12:

Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz (reprovai-as - ARA). Porque aquilo que fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso.

 

Existe muita coisa, tramitada em oculto, nos bastidores de nosso governo, que até mencionar neste texto seria vergonhoso. E uma das formas mais poderosas de reprovar essas obras, depois da oração e da pregação da verdade, é a urna eleitoral: seu voto é uma forma poderosa de reprovar aquilo que você não concorda na sua nação.

“Não me envolvo em política, porque é muito suja”, dizem alguns. Mas se os justos se calarem, o mal vai se multiplicar (Hc 1:2-4). Alguém que não se incomoda com sujeira vai se envolver na política, e depois você vai provar da sujeira dele no dia-a-dia! Outros pensam: “não me envolvo na política, para me preservar puro e não me contaminar”. Veja o que a Bíblia diz sobre isso:

 

Filipenses 2:14-16a:

Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis NO MEIO (não fora!) de uma geração corrompida (corrupta) e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida...

É justamente no meio das trevas que a luz faz a diferença (Mt 5:16)! Quando afirmo categoricamente que todo cristão deve ser politizado, não quero dizer que seja necessariamente um candidato político, filiado a um partido, que faça campanha ou seja assessor de uma entidade do governo. O principal envolvimento político de um crente é seu exemplo individual de cidadania! Quando ele não fura fila, não sonega impostos, não “bate o ponto” para outro no trabalho, não aceita um “troco” errado, já está fazendo diferença na sua geração.

 

É impossível negar a influência histórica do cristianismo na política. Desde o seu nascimento, a afirmação que Jesus era o Rei dos reis já tinha um tom e consequências políticas, pois havia um “rei”, chamado César, que não gostava dessa ideia. Foi o cristianismo que, em 375 dC, tornou ilegal o infanticídio, o aborto e o abandono de crianças no Império Romano (muito antes do atual Estatuto da Criança e do Adolescente). Foi o cristianismo que acabou com a morte de gladiadores nos espetáculos (muito antes dos órgãos modernos de direitos humanos). Foi a influência cristã que gerou os primeiros hospitais e universidades do mundo ocidental. Foi a Reforma Protestante que acabou com a Idade Média e lançou as bases para o Capitalismo. Foi a cultura judaico-cristã que moldou a atual sociedade européia e americana. Foi um missionário cristão, William Carey, que acabou na Índia com o Sati (ritual onde as viúvas eram queimadas vivas no enterro de seus maridos) em 1829, muito antes dos órgãos feministas ganharem expressão. Foi por causa de sua conversão que evangélico William Wilberforce liderou o movimento que acabou com o comércio de escravos no Império Britânico e no mundo (muito antes dos movimentos trabalhistas modernos). Martin Luter King, o maior ativista dos direitos civis dos negros nos EUA e no mundo, era um pastor batista. E a lista continua…

 

A lei de nossa nação, em nenhum momento, proíbe os cristãos ou ministros religiosos de se expressar politicamente. O artigo 5 da Constituição diz que “todos são iguais perante a lei”, que “é inviolável a liberdade de crença”, “é livre a expressão de atividade intelectual”, e que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política...”. Mas e o “Estado Laico”? O Estado (conjunto de instituições que organizam e atendem a nação) não tem uma religião oficial (é laico), mas não é CONTRA as religiões (laicista). A própria Constituição Federal tem o seguinte texto no seu preâmbulo (abertura):


Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

 

Uma citação de Deus na Carta Magna, ou um crucifixo num órgão público, ou uma aula de religião numa escola pública, não fere a laicidade do Estado! Ser laico não significa ser CONTRA as religiões, mas ser NEUTRO, permitindo a expressão da religião do povo. Isso porque, apesar de o Estado ser laico, a nação (povo) não é laica. O Estado é laico, mas a Política não é laica! A política é a manifestação dos valores e crenças de um povo, que tem religião. Um político é um representante do povo, e o povo não é laico. Eu quero ser representado no governo por valores cristãos. Tenho esse direito legal, e vou exercê-lo!

 

Veja na Bíblia como o apóstolo Paulo entendia seus direitos de cidadão romano, e como usou esses direitos a favor da pregação do Evangelho (At 22:22-29). E você? Conhece seus direitos como cidadão brasileiro? Vai usar esses direitos para promover a causa de Cristo? Existe muito crente acuado, calado, com medo de expressar suas convicções, mas chegou a hora de você despertar! Sim, sabemos que somos em primeiro lugar cidadãos dos céus (Fp 3:20). Mas também somos cidadãos da terra! Sim, sabemos que a oração é nossa primeira e principal arma para mudar a nação (2Cr 7:14; 1Tm 2:1-4). Mas não é a única! Entenda seus direitos celestiais, mas entenda seus direitos na terra. Lute por eles, dentro do que a lei do seu país ensina, e principalmente do que a lei absoluta e imutável da Palavra de Deus nos orienta. Fazendo isso, certamente teremos uma nação mais justa, próspera, e favorável ao crescimento do Evangelho nos próximos anos. Feliz é a nação (povo) cujo Deus é o Senhor!

 

Jeremias 29:7:

Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os transportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela.

 

Para saber mais, assista no youtube a série Cidadão do Céu e da Terra:

 

Parte 1: Cristianismo e Política se misturam?

Parte 2: O Cristão deve Amar sua Nação?

Parte 3: O Cristão Pode Questionar o Governo?

Parte 4: O Cristão, a Política e as Eleições.